Dr. Daniel da Costa Comenta Sobre Efeitos do Rimonabanto Osteogênese Imperfeita em Crianças e Adolescentes

A Associação entre Hiperglicemia e Risco de Fratura na Meia Idade. Um estudo Populacional Prospectivo, de 22.444 Homens e 10.902 Mulheres.

8 de Maio de 2008 às 11:04 admin  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 965

J Clin Endocrinol Metab – Março de 2008, Volume 93, Número 3, 815-822.
A. H. Holmberg¹, P.M. Nilsson², J-Å. Nilson¹ e K Åkesson¹.
¹Lund University, Department of Clinical Sciences, Clinical and Molecular Osteoporosis Research, and ² Medicine, Malmö University Hospital, S-205 02 Malmö, Suécia..

Comentário: Érico Higino de Carvalho.
Serviço de Endocrinologia do IMIP – Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira – Recife/PE.

A relação entre diabetes e osteoporose com aumento do risco de fraturas vem sendo descrita há alguns anos, especialmente no DM tipo1. Os estudos com DM tipo2 apresentam resultados discrepantes, mas os últimos relatos mostram um risco maior de fraturas apesar de maior massa óssea . Essas fraturas parecem ser mais freqüentes naqueles com maior tempo de doença. Para os indivíduos intolerantes, os dados são muito escassos.

O presente estudo populacional conhecido como Malmö Preventive Project foi desenvolvido para estudar o risco de fraturas e hiperglicemia em indivíduos intolerantes, avaliados com glicemia em jejum e teste de tolerância com 75g de glicose (TTOG). Os diabéticos foram excluídos. O estudo abrangeu um grande número de pacientes, sendo 22.444 homens, com média de 44anos(± 6.6) e 10.902 mulheres, média de 50 anos (± 7.4). O acompanhamento médio foi de 19 anos (± 3.9) para os homens e 15 (± 4.5) para as mulheres.

As fraturas foram catalogadas no Serviço de Radiologia da Universidade de Malmö, que abrange pelo menos 97% dos registros de fraturas, pois é o único daquela cidade. As fraturas foram divididas em alto ou baixo impacto, sendo este último relacionado com osteoporose. Um total de 1246 fraturas em homens e 1236 em mulheres associadas a baixo impacto foi registrado. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos – quartil - de acordo com os níveis de glicemia e TTOG, em ordem crescente.

Os resultados mostraram aumento de fratura nos menores quartis, que tinham menores níveis glicêmicos, tanto para homens como mulheres, mais especificamente quando avaliado pelo TTOG. Maiores índices de glicemia após o TTOG após ajuste para idade, IMC, cigarro foi significativamente associado com diminuição do risco de múltiplas fraturas nos homens (OR 0.57-0.71) e mulheres (OR 0.38-0.66). O TTOG maior foi associado com menor risco de fratura osteoporótica (OR 0.57 – IC 95% 0.44-0.74). Os níveis de insulina não tiveram relação com fraturas.

O resultado deste estudo implica em uma nova discussão sobre o efeito da glicemia e insulinemia como indutor anabólico ósseo e do peso como fator protetor contra osteoporose. Os resultados de maior risco de fraturas em DM tipo2 pode estar associado a uma maior tendência a quedas secundário a neuropatia e retinopatia, e por pior qualidade óssea, associada à disfunção osteoblástica por glicação protéica e indução apoptótica.

Pode ser avaliado como um espectro variado da hiperglicemia. Naqueles indivíduos intolerantes (pré-diabéticos), a insulinemia é elevada enquanto que a glicemia ainda não se encontra evidentemente elevada, favorecendo o ganho de massa óssea. Com a instalação do DM tipo 2 franco, a resistência insulínica fica mais evidente, com menor atuação anabólica da insulina no osso, maior glicação protéica e posterior queda na insulinemia com o passar dos anos.

Os méritos deste estudo foram a avaliação de um grande número de pacientes participantes de uma coorte de longa duração, utilizando um sistema de registro hospitalar que cobre praticamente todo a cidade e seus habitantes, mesmo considerando os vários vieses e limitações que podem ocorrer com estudos utilizando este tipo de banco de dados, além de lançar a idéia de que a hiperglicemia associada a hiperinsulinemia atuar como fator protetor no osso, pelo menos nos indivíduos pré-diabéticos.

Publicação arquivada em: Pesquisa, Metabolismo Ósseo, Diabetes

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